Fábrica da Criatividade
Alameda do Cansado, 14 b
6000-075 Castelo Branco, Portugal

exposição individual // BREVEMENTE

A exposição de Luís Macedo desenvolve-se em torno da memória, do esquecimento e da fragilidade dos mecanismos, através dos quais o ser humano tenta preservar a sua passagem pelo tempo. Entre azulejo, fotografia e vídeo, texto e instalação, os trabalhos constroem um território onde lembrança e perda coexistem, revelando a instabilidade do passado e a impossibilidade da sua preservação integral. A memória surge não apenas como registo, mas como processo em permanente transformação. Pessoas, lugares e acontecimentos deslocam-se entre presença e desaparecimento, entre aquilo que permanece e aquilo que inevitavelmente se dissolve. O projeto questiona assim a própria ideia de conservação e a capacidade de qualquer arquivo impedir o desaparecimento das experiências humanas. O ponto de partida encontra-se frequentemente no gesto fotográfico. Fotografar transforma-se numa tentativa de fixar o instante e resistir ao desaparecimento: a fotografia de família, a viagem, o aniversário ou o momento aparentemente insignificante que alguém decidiu guardar. Contudo, toda a fotografia contém simultaneamente a possibilidade do esquecimento. A imagem sobrevive muitas vezes à memória das pessoas nela representadas; desaparecem os nomes, os contextos e as relações, permanecendo apenas o vestígio visual. A exposição, incorpora também pelo processo fotográfico da cianotipia, postais e textos que atravessavam distâncias físicas e emocionais. Mais do que documentos, estes objetos funcionam como resíduos afetivos de relações humanas e de um tempo anterior à velocidade da comunicação contemporânea. Paralelamente, os trabalhos interrogam a instabilidade da memória na contemporaneidade perante a inteligência artificial (IA) e a manipulação digital. Através de colagens, apropriações fotográficas, imagens e vídeos gerados por IA, Luís Macedo constrói rostos e narrativas sem origem estável. Fotografias de atores e atrizes do século passado são manipuladas e recombinadas, criando “novas pessoas” cuja existência oscila entre familiaridade e estranheza. A manipulação surge aqui como metáfora da própria memória humana: um mecanismo incompleto, falível e permanentemente sujeito à reconstrução. Apesar da dimensão conceptual do projeto, existe uma forte presença autobiográfica, sobretudo na relação com a infância e os espaços da memória familiar. Nesta exposição, Luís Macedo articula diferentes suportes numa investigação contínua sobre memória, ausência e reconstrução do real.

a pequena memória

museu francisco tavares proença jr.

rua dr. alfredo mota, 1 - castelo branco

18 julho a 20 setembro 2026

terça-feira a domingo

10h00/13h00 _ 14h00/18:00

INAUGURAÇÃO, Sábado 18 julho